Poncha pescador. As fontes divergem: umas indicam rum, açúcar e limão; outras fazem-na de laranja. Reportamos a divergência em vez de a resolver.
É um nome protegido, e é aqui que isso está
«Poncha da Madeira» é uma indicação geográfica da UE registada, processo PGI-PT-02044, protegida desde 13 de fevereiro de 2008. Hoje a proteção decorre do Article 37, Regulation (EU) 2019/787.

Um ingrediente obrigatório. É essa a receita toda.
O caderno é direto: o único ingrediente obrigatório é o Rum da Madeira, ele próprio um nome protegido à parte. Todo o resto — mel, citrinos, maracujá, açúcar — está escrito como condicional, «quando utilizados».
Ou seja, aquilo sobre que as pessoas discutem é, juridicamente, quase todo opcional. O que não é opcional é o rum: poncha feita com vodca é perfeitamente legal de vender, mas não pode chamar-se Poncha da Madeira.
Uma contradição dentro dos próprios documentos oficiais
O registo classifica-a em «32. Liqueur». O campo de categoria do próprio processo diz «9. Fruit spirit», enquanto a descrição lhe chama licor. Publicamos ambos porque quem for verificar vai encontrar ambos.
E o prato que não está protegido
A espetada é amplamente descrita online como tendo IGP. Procurar no registo da UE não devolve absolutamente nada. Não tem qualquer denominação protegida — a afirmação é quase de certeza uma confusão com a poncha, que tem.
eAmbrosia, the EU geographical indications register — 0
As variantes, e quais delas significam alguma coisa juridicamente
Só o nome protegido está definido na lei. Tudo o que se segue é uso — vale a pena saber, mas não é uma hierarquia criada pela lei.
Poncha regional — mel em vez de açúcar, geralmente com limão.
Versões de fruta — maracujá, tangerina, laranja e outras. Não são excluídas pelo caderno, que exige apenas que a fruta seja regional.
O pau de madeira. O turismo regional chama-lhe mexelhote; caralhinho é o termo popular, muito usado e que nenhuma fonte oficial imprime.
Filmado e publicado por madeirainabox.
Filmado e publicado por Ninas Kochlust.
Onde a beber, com um facto de primeira mão
O Restaurante Santo António não aceita reservas de todo — «serviço por ordem de chegada», nas suas próprias palavras. Aberto das 12:00 às 23:00.
E fica no Estreito de Câmara de Lobos — a vila do interior, não a cidade costeira de Câmara de Lobos. São freguesias distintas, e quase todos os guias as confundem. Câmara de Lobos é onde estão os barcos e os bares do porto; o Estreito fica acima.

De onde vem, e o que é apenas repetido
O processo oficial faz remontar a poncha ao século XVIII, como adaptação de uma bebida chamada panche trazida da Índia por viajantes ingleses. Vale a pena ler como aquilo que é: uma afirmação dentro de um documento legal, sem fonte primária citada. A etimologia de «punch» a partir do hindi e do urdu é lexicografia corrente e assenta em terreno mais firme.

Repetido em todo o lado, sem fonte nenhuma
Não foi encontrada prova primária para nenhuma destas histórias. Isso não as torna falsas; significa que ninguém as deve apresentar como história.
- Que era um remédio contra o escorbuto levado nas viagens do século XVI.
- Que os pescadores de Câmara de Lobos a inventaram para se aquecerem no mar.
- Que tem cinco ingredientes originais, como se diz do punch.
- Que é receita tradicional para uma constipação.
Os documentos
ec.europa.eu
web.archive.org
visitmadeira.com
restaurantesantoantonio.com