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Criminalidade, o mar, o ar, as estradas

A Madeira é segura?

Portugal publica quase toda a resposta em estatísticas oficiais, por região, todos os anos. Esta página são esses números, cada um com a entidade que o publicou e a data em que o lemos — e diz onde o registo publicado se esgota.

Todos os números desta página foram verificados a 27 de julho de 2026.

Criminalidade

A DREM, a direção regional de estatística, publica todos os anos uma taxa de criminalidade por mil residentes e imprime a média nacional ao lado. Essa comparação é tudo aquilo para que uma taxa serve.

Criminalidade registada na Madeira, por 1 000 residentes
Criminalidade registada na Madeira, por 1 000 residentes
Criminalidade registada na Madeira, por 1 000 residentesValor
202226.9
202328.1
202426.5

DREM — Direção Regional de Estatística da Madeira, divulgação de 11 de novembro de 2025.

Em 2024 a taxa regional foi de 26.5‰ contra uma média nacional de 33‰, e 39.7‰ nos Açores. Ficou abaixo da média nacional em todos os anos que a DREM aqui imprime.

Desses, 9.3‰ foram crimes contra o património e 6.3‰ crimes contra a integridade física. A forma da resposta para quem visita está nesses dois números: o que é mais provável levarem é um saco.

Por concelho

Os cinco que a DREM nomeia na divulgação de 2024, por 1 000 residentes.

  • Porto Santo

    41.8‰

  • Funchal

    32.8‰

  • Câmara de Lobos

    29‰

  • Porto Moniz

    27.7‰

  • Ponta do Sol

    12.8‰

O Porto Santo encabeça a tabela, e isso é uma lição sobre denominadores pequenos e não sobre o Porto Santo. Vivem lá cerca de cinco mil pessoas e a população de verão é um múltiplo disso, enquanto a taxa divide apenas por residentes. Leia-a como um aviso contra lê-la demasiado a sério.

Criminalidade violenta, no relatório de segurança interna

O RASI 2025, apresentado a 31 de março de 2026, registou 6630 participações de criminalidade geral na Região, menos 3.6%, e 212 ocorrências de criminalidade violenta e grave — mais uma do que no ano anterior. No país, no mesmo ano, a criminalidade geral subiu 3.1% e a violenta desceu 1.6%.

O RASI conta participações às forças de segurança; a DREM conta crimes registados. Os dois totais não coincidem à unidade, e nenhum está errado. Ficam aqui os dois, em vez do mais lisonjeiro.

Droga

Aqui há duas coisas verdadeiras ao mesmo tempo, e publicar só uma delas dá uma imagem falsa.

A primeira: nos inquéritos à população do SICAD, as regiões autónomas estão no fundo da tabela nacional de consumo recente de qualquer droga, e a Madeira é a mais baixa de todas nos 15 aos 34 anos. Entre os jovens de 18 anos inquiridos no Dia da Defesa Nacional, o valor foi de 30% no Algarve até 21% na Madeira.

O problema das catinonas sintéticas, ao nível em que está documentado

A segunda: a imprensa portuguesa documenta há anos um problema específico no Funchal com a alpha-PHP, uma synthetic cathinone conhecida na rua por bloom. O número firme associado a isso é este — o laboratório da Polícia Judiciária na Madeira identificou 6 substâncias até então não registadas no país em três meses de funcionamento, com os resultados comunicados ao observatório europeu.

O que não está aqui: qualquer número de consumidores, qualquer bairro, e qualquer afirmação sobre a fatia de criminalidade de rua que lhe corresponde. Tudo isso circula muito. Nada disso remonta a uma série oficial, e por isso nada disso está nesta página.

O mar

É a parte da pergunta com números a sério por trás, e a parte em que o registo publicado é mais fino exatamente onde quem visita mais precisa dele.

Mortes por afogamento em Portugal, por ano
Mortes por afogamento em Portugal, por ano
Mortes por afogamento em Portugal, por anoValor
2022157
2023155
2024121
2025142
202657

Observatório do Afogamento, Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores. Totais nacionais; 2026 é até 31 de maio e provisório.

Estes são nacionais. Não existe uma contagem anual publicada de afogamentos só para a Madeira — o observatório publica totais nacionais e desagrega as regiões apenas como percentagem de cada trimestre. Montar uma série madeirense a partir de notícias é exatamente o tipo de número que este site não inventa, por isso o que se segue é a resolução regional que a fonte de facto dá.

Uma barra vazada é um valor que a própria fonte assinala como parcial ou ainda em contagem.

Onde aconteceram os afogamentos

A nível nacional, primeiro trimestre de 2026. Corrige o instinto nos dois sentidos: o mar não é todo o risco, e não é por isso que é seguro.

  • Rios17 · 47.2%
  • O mar7 · 19.4%
  • Vias inundadas11.1%
  • Poços8.3%
  • Barragens8.3%
  • Portos de abrigo2.8%
  • Piscinas domésticas2.8%

A parte da Madeira

Os dois períodos em que o observatório desagregou as regiões e nomeou a Madeira. Uma percentagem de um trimestre não é uma taxa anual, por isso o total nacional do mesmo período vai ao lado — onze por cento de trinta e seis são quatro.

  • 8.7% de 23 mortes no país em Q1 2024

    Agrupada com Aveiro, Setúbal e Viana do Castelo na mesma percentagem.

  • 11.1% de 36 mortes no país em Q1 2026

    A par de Braga, atrás apenas de Coimbra com 13,9%.

O que dizem os nadadores-salvadores sobre vigilância

A FEPONS relata que todos os afogamentos que registou no país até março de 2026 ocorreram em locais sem assistência a banhistas. É a conclusão da própria federação, citada e não parafraseada.

Separadamente, e de outra fonte: a portaria das águas balneares de 2026 nomeia 23 das 51 águas balneares designadas da ilha da Madeira como tendo assistência a banhistas assegurada. Mais de metade não tem, pela própria contabilidade do Estado — incluindo sítios com parque, bar e placa.

Portaria n.º 204-A/2026/1 · Anexo IV · 23/51

Esses dois parágrafos são factos adjacentes, não uma causa e um efeito. Nenhuma fonte liga os afogamentos na Madeira às suas praias sem vigilância, e a desagregação nacional acima — em que os rios são quase metade das mortes — não sustentaria essa ligação se se tentasse fazê-la. O que os dois estabelecem em conjunto já vale por si: a vigilância conta, e nesta ilha a maior parte da água balnear designada não a tem.

A ondulação, e qual das costas

«A costa norte é mais brava» é a afirmação mais repetida sobre nadar aqui e é quase sempre feita sem um número. A Capitania do Funchal publica um sempre que emite um aviso de agitação marítima forte: 3.5 a 4.5 metros na costa norte contra até 2.5 metros na sul, no mesmo aviso, à mesma hora. Cerca de dois para um.

O conselho da própria autoridade sob esses avisos é ficar longe de molhes, falésias e praias, e da pesca à beira das arribas — porque, nas suas palavras, o mar pode alcançar zonas aparentemente seguras.

Avisos de agitação marítima forte para o arquipélago só em 2026: 16 de jan., 13 de fev., 24 de fev., 6 de mar., 7 de abr.. É uma condição corrente de inverno e primavera, não uma excecionalidade. Nenhum incidente está associado a estas datas; são avisos.

Tubarões

O International Shark Attack File nomeia todos os anos cada local com uma mordedura não provocada confirmada. Em 2025 registou 65 no mundo, 9 delas mortais, em 15 locais nomeados. Portugal não está entre eles.

É um ano, e foi aí que parámos. Não lemos no ficheiro do ISAF, que começa em 1580, um total de sempre para Portugal; agregadores de terceiros listam um incidente de 1979 ao largo da Madeira que não conseguimos confirmar no próprio ISAF. Um ano de ausência não é «nunca», e esta página não escreve «nunca».

O ar

Três estações fixas de monitorização cobrem toda a Região, e duas delas estão no Funchal.

  • São JoãoFunchal · Urbana de tráfego
  • São GonçaloFunchal · Urbana de fundo
  • SantanaSantana · Rural

Três é o número, e vale a pena sabê-lo antes de ler qualquer afirmação sobre «a qualidade do ar na Madeira». Fora do Funchal e de Santana não há medição em que a basear.

Onde há comparação, é favorável: o visualizador de cidades da Agência Europeia do Ambiente colocou o Funchal em 4.º lugar entre as cerca de 300 cidades europeias que abrange.

A exceção documentada é o leste, o vento seco de nordeste vindo do Sara que o IPMA descreve — até 35 °C, humidade a descer aos 5%, em regra não mais de três dias, e nos meses que o IPMA nomeia. É o único padrão de tempo daqui que degrada de forma fiável a visibilidade e o ar, e as páginas de mês trazem os seus números.

O QualAr, o índice nacional de qualidade do ar, é da APA e é publicado diariamente numa escala de cinco classes que reporta o pior poluente de uma estação e não uma média. Ligamos ao visualizador oficial em vez de reproduzir a leitura de hoje: procurámos um acesso automatizado a 27 de julho de 2026 e não encontrámos nenhum documentado, pelo que um número copiado para aqui envelheceria entre reconstruções sem o dizer.

A água em que se nada

A APA classifica anualmente cada água balnear designada; nesta Região a amostragem é da DRAM. Sessenta águas entre a Madeira e o Porto Santo para a época de 2026.

  • Excelente

    51

  • Boa

    4

  • Aceitável

    3

  • 2

Classificação da APA, época de 2026, Madeira e Porto Santo em conjunto.

As duas classificadas como más

  • Poças do Gomes — Doca do Cavacas (Funchal)
  • Quinta do Lorde (Machico)

Nomeadas porque quem planeia um banho precisa delas pelo nome, e porque ambas são sítios para onde se manda ativamente quem visita.

A Bandeira Azul é outra coisa e um sinal mais fraco do que parece: é tanto uma candidatura como um galardão, por isso uma praia sem ela não chumbou necessariamente em nada. A página das praias traz a lista completa de 2026 e, mais útil, o que falta nela.

Riscos naturais

O registo, datado e contado. Para uma viagem o que importa não é a história mas o sistema de avisos por baixo dela.

  • A aluvião de 20 de fevereiro de 2010

    47 mortos, 4 desaparecidos, 250 feridos e cerca de 600 desalojados quando a chuva na serra desceu pelas ribeiras até ao Funchal em poucas horas.

    O número de mortos de 2010 é dado como 45, 47 e 51 consoante se contem ou não os desaparecidos e consoante a peça de aniversário que se leia. Publicamos o valor mais consistentemente atestado e nomeamos a divergência em vez de a resolvermos nós.

  • Os incêndios do Funchal de agosto de 2016

    3 mortos e cerca de 1000 pessoas retiradas de casa. Arderam cerca de 1666 hectares dentro do concelho do Funchal — perto de um quinto dele — incluindo ruas do centro histórico.

  • O incêndio de agosto de 2024

    Treze dias, de 14 de agosto de 2024 a 26 de agosto de 2024, com início acima da Ribeira Brava e chegada a Câmara de Lobos, Ponta do Sol e Santana. 5104 hectares pela medição do sistema europeu de informação sobre incêndios, sem mortos e sem casas perdidas.

O número que explica o resto: 185 mm no Pico do Areeiro num dia, e 114 mm no Funchal em horas, contra uma normal anual do Funchal de 596 mm.

O que convém mesmo consultar

O IPMA avisa este arquipélago separadamente por costa. O seu feed aberto de avisos traz 4 códigos de área da Madeira — costa norte, costa sul, Porto Santo e a zona marítima — a par dos distritos do continente, na mesma escala de quatro níveis de verde a vermelho. Lido do feed a 27 de julho de 2026.

As interdições por queda de pedras nas levadas e veredas são a versão diária disto, e estão tratadas onde pertencem: nas páginas dos percursos, a partir do registo oficial, com a data em que cada interdição foi lida.

As estradas

A forma mais provável de alguém se magoar nesta ilha é dentro de um veículo, e a série regional tem uma particularidade que tem de ser explicada antes de o gráfico se poder ler com honestidade.

Vítimas mortais na estrada na Madeira
Vítimas mortais na estrada na Madeira
Vítimas mortais na estrada na MadeiraValor
201939
20239
20249

ANSR, Relatório Anual de Sinistralidade a 24 horas 2024. São os únicos três anos que esse relatório tabula para a Região.

Porque é que 2019 tem aquele aspeto

Um autocarro de turismo despistou-se no Caniço, Santa Cruz a 17 de abril de 2019. Morreram 29 pessoas e 27 ficaram feridas, das 56 que seguiam a bordo. O total regional de todo o ano de 2019 foi de 39. Um só acontecimento é quase o ano inteiro, e um gráfico que mostrasse 39 a cair para 9 sem o dizer estaria a afirmar que as estradas da Madeira se transformaram em quatro anos. Não se transformaram. O Ministério Público pediu julgamento por 29 crimes de homicídio por negligência em dezembro de 2019, e um memorial foi inaugurado no quinto aniversário.

«24 horas» é a regra de contagem da ANSR — uma morte no prazo de um dia após o acidente. A série separada a 30 dias é ligeiramente superior. Misturar as duas é o erro mais comum ao relatar estes números, por isso esta página usa uma e nomeia-a.

Em quê

Nacional, não regional — a ANSR não desagrega a Região desta maneira. Está aqui porque responde a uma decisão que quem visita toma de facto: as categorias que sobem são as de duas rodas.

  • A pé7469
  • De automóvel230210
  • Em veículo pesado83
  • De ciclomotor2618
  • De motociclo93120
  • De bicicleta2023

ANSR, vítimas mortais na estrada no país por categoria, 2019 contra 2024.

De onde vêm estes números